Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

 

  

 


 

filosofia pode ser definida como um atividade intelectual que procura analisar, compreender e dar respostas aos problemas ou questões com que se debate a humanidade e aos quais a ciência não dá resposta . Cada filósofo sobre estes problemas formula os seus pontos de vista, produzindo afirmações ( teses, teorias) sustentadas num conjunto de razões (argumentos ) credíveis, isto é, suscetíveis de convencer as pessoas da verdade das suas conclusões.


 

1. Num discurso filosófico podemos encontrar os seguintes elementos: 

 

Problema/Questão, Teoria/Tese, Argumentos, Contra-Argumentos, Conclusão.

 

Problema: O enigma que se procura encontrar uma resposta.

Exemplo: O que é a realidade ?

.

Questão: Uma forma particular de formular o problema de modo a que o mesmo possa ser abordado, numa dada perspectiva. A formulação da questão acaba assim por evidenciar alguns aspectos do problema, secundarizando outros. Alguns autores não fazem qualquer distinção entre problema e questão.

Exemplo: A realidade pode reduzir-se apenas ao que vemos ?

 

Tese: A resposta ou hipótese explicativa sobre um determinado problema. A tese, em certo sentido, coincide com a conclusão.

 

Teoria. Uma tese apresentada de uma forma coerente e apoiada num conjunto de argumentos convincentes da sua verdade.

 

Argumentos: Razões que fundamentam a tese e nos conduzem a admitir uma dada conclusão (tese/teoria).  

 

Contra-argumentos: As razões que podem ser apontadas para desmentirem as afirmações apresentadas. 

 

Refutação: As razões que podem ser indicadas para mostrar que os contra-argumentos são inconsistentes para negarem
as teses/eorias.

 

Conclusão: As respostas a que teremos que chegar tendo em conta a validade dos argumentos apresentados, assim
como os raciocínios efectuados.  


 

2. Na defesa de uma dada tese, podemos produzir três tipos fundamentais argumentos, de acordo como o modo como raciocinamos.

 

Argumentos dedutivos : A partir de premissas (afirmações, argumentos) é deduzida uma dada conclusão que se apresenta como necessária e válida. Se as premissas forem verdadeiras e o raciocínio for correto, então a conclusão será também verdadeira.


Exemplos:  

Todos os homens são mortais 

Os gregos são homens

Logo, os gregos são mortais

 

É verdade tudo penso de forma clara e distinta

Penso de forma clara e distinta que a existência pertence à essência de Deus

Logo, é verdade que Deus Existe. 

(adaptado de Descartes) 

 

 

Argumentos indutivos : A partir de conjunto de premissas particulares induzimos uma conclusão mais geral que se apresenta como logicamente possível, provável mas não necessária.


Exemplos:

A Susana pertence a uma Associação Green Peace

A maioria das pessoas que pertencem a tal associação opõe-se à destruição da Mata de Barão.

Logo, Susana vai opor-se à destruição  da Mata de Barão.

 

"Outrora as mulheres casavam-se muito novas. A Julieta da peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, ainda não tinha 14 anos. Na Idade Média, 13 anos era a idade normal de casamento para uma rapariga judia. E durante o Império Romano muitas mulheres casavam aos 13 anos, ou mesmo mais novas". (A. Weston, A Arte de Argumentar)

 

Durante séculos inúmeras observações e experiências nunca desmentiram esta afirmação

Nunca se encontrou algo que a sugerisse que a mesma pudesse ser falsa

Logo, temos que concluir que a mesma é uma verdade absoluta.

 


Argumentos analógicos : Com base em duas ou mais premissas estabelecemos relações de semelhança entre elas, procuramos extrair uma conclusão que se apresenta como logicamente possível,  provável mas não necessária.


Exemplo:

Colhe-se o que se semeia. Se plantarmos amoras, colhemos amoras. Se plantarmos cebolas obtemos cebolas. Do mesmo modo quem semeia a guerra não pode esperar obter paz, justiça e fraternidade  (adpt de W.Salmon)

 

 

3. Demonstração e Argumentação

  •  Argumentar é expor de forma encadeada um conjunto de argumentos (razões) que justificam uma conclusão. Por outras palavras, um argumento é um conjunto de premissas (razões, provas, ideias) apresentadas para sustentar uma tese ou um ponto de vista. 
  •  Conforme os tipo de argumentos (razões) que nos servimos para justificar uma dada conclusão, podemos estar perante uma demonstração ou uma argumentação. Foi Aristóteles no Organon, quem fez pela primeira vez esta distinção.
  • No caso da demonstração, os argumentos (premissas) são verdadeiros e a partir deles só podemos deduzir uma conclusão verdadeira.

            Exemplo: 

           Todos os mamíferos têm pulmões

           Todas as baleias são mamíferos

           Logo, todas as baleias têm pulmões

 

  • As premissas que partimos são verdadeiras e também inquestionáveis. A conclusão só pode ser uma. Negá-la seria entrar em contradição. Aristóteles designou este tipo raciocínio de analítico.
  • No caso da argumentação os argumentos (premissas) são mais ou menos prováveis. Muitos pessoas são suscetíveis de serem convencidos que os mesmos verdadeiros, mas nem todas irão concordar com esta posição. A conclusão está longe de gerar uma unanimidade. 

        Exemplo:

       Todos os alunos são estudiosos

       João é aluno

       Logo, João é estudioso

  • A premissa que partimos é muito discutível. A conclusão inferida a partir da conclusão, embora logicamente válida, não obtendo a concordância de todos. Aristóteles designou este tipo raciocínio de dialético. Neste caso o orador não se pode limitar a expor algo que é admitido como verdadeiro, mas tem que persuadir quem o ouve da sua veracidade das suas conclusões.
  • Com base nos exemplos anteriores, podemos afirmar que a argumentação se distingue da demonstração em muitos aspetos, tais como: 

      Na argumentação a conclusão é mais ou menos plausível; as provas apresentadas são         suscetíveis de múltiplas  interpretações, frequentemente marcadas pela subjetividade de quem argumenta e do contexto em que o faz. Na argumentação procura-se acima de tudo, convencer alguém que uma dada tese é preferível à sua rival. É por isso que só se argumenta nas situações em que existem várias respostas possíveis. Toda a argumentação implica deste modo o envolvimento ou comprometimento de alguém em determinadas teses.


      Na demonstração a conclusão é universal, decorrendo de forma necessária das premissas, e impõe-se desde logo à consciência como verdadeira; as provas são sem margem de erro e não estão contaminadas por fatores subjetivos ou de contexto. A demonstração assume um carácter impessoal. É por isso que  podemos dizer que a mesma foi correta  ou incorretamente feita, dado só se admitir uma única conclusão.

  • O discurso argumentativo supõe a disponibilidade de duas ou mais pessoas (interlocutores), para confrontarem de forma pacífica, os seus pontos de vista e argumentos. Fazem-no de um modo que procura cativar a atenção e adesão às suas ideias por parte de quem os ouve (auditório). Três das condições para que isso possa acontecer: o discurso dever ser coerente e consistente, isto é credível,  mas também o orador tem que ser persuasivo. 


publicado por ideias-em-movimento às 22:50
Excelente artigo, obrigado por partilhar :P
Produtos Naturais a 16 de Novembro de 2011 às 15:12

Agradeço a partilha do seu comentário.

qual a diferença entre argumento dedutivo, indutivo e analógico
Anónimo a 14 de Outubro de 2012 às 14:21

Quem pergunta?

Numa primeira e rápida análise poderemos dizer que no raciocínio dedutivo partimos de premissas gerais (maior extensão) para concluir (deduzir) uma conclusão particular (menor extensão). Neste caso, se o raciocínio for for válido e tiver premissas verdadeiras, a conclusão é indubitavelmente verdadeira.

No raciocínio indutivo partimos de premissas particulares ou individuais (de menor extensão) para concluir (induzir) conclusões gerais ou universais (de maior extensão). A conclusão, neste tipo de raciocínio, é discutível e sujeita a contestação porque não se pode garantir que de casos particulares se possam induzir conclusões universais.

No raciocínio analógico procedemos a comparações (analogias) para explicar/argumentar outras matérias ou assuntos. Trata-se de um raciocínio circular.

Aconselho a ver melhor os exemplos que aqui são dados tentando compreender estas distinções.

Neste blog, as ideias têm que estar em movimento, sujeitas a partilha, é esta a condição. Podemos fazê-lo de multiplas formas, através do comentário, discussão e debate, questionando a nossa realidade para a perceber melhor.
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